Emicida
Por Quê Eu Rimo?
[Intro]
Vai!
Então, sem enrolação, sem refrão
Cada um tem um motivo pra rimar, fala o seu e já era, certo?
(Firmeza total, tio) (Certo) (Firmeza)

[Verso 1: Rashid]
Porquê rimo o que eu vivo, vivo o que eu rimo e tenho dito
Não falo de política, falo do que acredito
Viu? Não tô na de beijar a lona
É nóiz por nóiz e se não for assim não funciona
Perante o silêncio das rua, esse é o momento
Pra gente não existe tempo pra perder tempo
Trabalho e organização, cê me entendeu? Vou
Mais um milhão de solitário que nem eu, tô
Disposto a tudo ou nada, crente
Que se só meia dúzia trabalha isso aqui não vai pra frente
É você que define a parada
Cê pode morrer na praia, ou então decide pra onde nada
Se existe um inimigo a ser vencido
Não sei por quem e nem pra quê, só tive a honra de ser escolhido
E os verdadeiro tão no corre
Então deixa eu ir nessa porque se depender de alguns o rap morre

[Verso 2: Stefanie]
Stefanie, rimo aqui pra dizer o porquê
Interessados? Quem quiser, agora vai saber
Inspiração é tudo que afeta ou me completa
Cada um tem sua missão e Deus já deu minha meta
Capacidade pra alguma coisa todo mundo tem
De tudo que já fiz, isso me fez sentir bem
Rimar na batida da rua é muito mais além
Pois luta contra o mal e já salvou muita mente também
Rima é a ação de unir o útil ao agradável
Minha escolha de vida, meu prazer inexplicável
Rimar é crer pra mim que ainda existe esperança
É a arte marginalizada que quer ver mudança
Eu rimo pra que o lado negativo enfraqueça
E para que o coração gelado se aqueça
Pra que alguma coisa boa aconteça
E pra que a minha vida inteira se fortaleça
[Verso 3: Emicida]
Porquês não se criam dentro de meus cadernos
Onde cada lágrima minha é um mar de amores eternos
De infernos com dores de almas sem paz
A rima nasce nos zóio soturno onde a esperança não vive mais
A morte é próxima demais da vida dos MC
Por isso quando rimo é sempre meu último free
Último, fi. Chave de ouro pra trajetória
Com 15 anos eu escrevia rap, hoje escrevo a história
De quem tá pra viver, isso é mais que existir
Não pra quem pode entender, é pra quem pode sentir
Pra quem pode ouvir o silêncio das ruas
O barulho da calçada e a sinfonia das duas
Pra quem se viu distante e frio que nem Plutão
Mais uma lenda viva morrendo de fome porque soube dizer não
Pra se afastar dos tiriça
Por já não saber mais se vocês quer uma BMW ou justiça

[Verso 4: Rincon]
Junto as palavra na folha
Boto tudo pra fora, mas permaneço na encolha
De momento tá tudo bem, do nada maldade vem
Das coisas que a vida tem, não deram escolha
Revidar quem ataca, chacina seria a meta
Repressão não me fez o vilão, fez um poeta
Os soldados da rua tão de Glock e Beretta
Convocado pra guerra, mas só me deram a caneta
Se a palavra é poder, impactante é o vocal
Tranquilizante escrever, emocionante o sarau
O loco vai perceber, olha na bola do olho
Cê vê o efeito da rima na expressão facial
A mente criminal, criação do destino
Marginal, neguim, mal visto desde menino
Elevei a moral, vi as quebrada curtindo
Qualquer lugar que tiver vai ser por elas que eu rimo
[Verso 5: Kamau]
Não sei se tenho razão, mas várias são as razões
São vários os motivos, poucas as motivações
Tenho grandes sonhos e pequenas ambições
Sei que mesmo que seja na melhor das intenções
Não aponto soluções, provoco o pensamento
Semeando sugestões, quantizando sentimentos
E momentos da vivência que façam diferença
Não marcam sua presença pra ganhar mais audiência
Deram a sugestão, segui por empolgação
Surgiu a inspiração, hoje é quase obrigação
O que guia minha mão pelo meu bloco sem pauta
Foco pro trabalho ser entregue sem falta
Pode não ser a resposta que cê queria ouvir
É um pensamento difícil de traduzir
Até tento reduzir, mas nesse verso não cabe
Eu sei bem o meu porquê, mas e você, sabe?

[Outro]
A gente acha que sabe, meu filho
Mas ninguém sabe como nem quando
Tem que aproveitar a vida enquanto se está vivo
Mas sem pressa, um dia de cada vez