Gabriel, o Pensador
Chega
[Refrão]
Chega!
Que mundo é esse? Eu me pergunto
Chega!
Quero sorrir, mudar de assunto
Falar de coisa boa, mas na minha alma ecoa agora um grito
E eu acredito que você vai gritar junto
Chega!
Que mundo é esse? Eu me pergunto
Chega!
Quero sorrir, mudar de assunto
Falar de coisa boa, mas na minha alma ecoa agora um grito
Eu acredito que você vai gritar junto

[Verso 1: Gabriel, o Pensador]
A gente é saco de pancada há muito tempo e aceita
Porrada da esquerda, porrada da direita
É tudo flagrante, novas e velhas notícias
Mentiras verdadeiras, verdades fictícias
Polícia prende o bandido, bandido volta pra pista
Bandido mata o polícia, polícia mata o surfista
O sangue foi do Ricardo, podia ser do Medina
Podia ser do seu filho jogando bola na esquina
Morreu mais uma menina, que falta de sorte
Não traficava cocaína e recebeu pena de morte
Mais uma bala perdida, paciência
Pra ela ninguém fez nenhum pedido de clemência
[Refrão]
Chega!
Que mundo é esse? Eu me pergunto
Chega!
Quero sorrir, mudar de assunto
Falar de coisa boa, mas na minha alma ecoa agora um grito
Eu acredito que você vai gritar junto
Chega!
Vida de gado, resignado
Chega!
Vida de escravo, de condenado
A corda no pescoço do patrão e do empregado
Quem trabalha honestamente tá sempre sendo roubado

[Verso 2: Gabriel, o Pensador]
Chega!
Água que falta, mágoa que sobra
Chega!
Bando de rato, ninho de cobra
Chega!
Obras de milhões de reais
E milhões de pacientes sem lugar nos hospitais
Chega!
Falta comida, sobra pimenta
Chega!
Repressão que não me representa
Chega!
Porrada pra quem ama esse país
E bilhões desviados debaixo do meu nariz
Chega!
Contas, taxas, impostos, cobranças
Chega!
Tudo aumenta, menos a esperança
Multas e pedágios para o cidadão normal
E perdão pra empresas que cometem crime ambiental
Chega!
Um para o crack, dois pra cachaça
Chega!
Pânico, morte, dor e desgraça
Chega!
Lei do mais forte, lei da mordaça
Desce até o chão na alienação da massa:
[Ponte]
(Eu vou, eu vou)
Levanta o copo e vamos beber
Levanta o copo e vamos beber
(Eu vou, eu vou)
Levanta o copo e vamos beber
Um brinde aos idiotas incluindo eu e você
(Eu vou, eu vou)
Levanta o copo e vamos beber
(Pararatibum, pararatibum)
Levanta o copo e vamos beber
(Sent** agora eu vou)
Levanta o copo e vamos beber
Um brinde aos idiotas incluindo eu e você

[Verso 3: Gabriel, o Pensador]
Democracia, que democracia é essa?
O seu direito acaba onde começa o meu, mas onde o meu começa?
Os ratos fazem a ratoeira e a gente cai
Cada centavo dos bilhões é da carteira aqui que sai
E a gente paga juros, paga entrada e prestação
Paga a conta pela falta de saúde e educação
Paga caro pela água, pelo gás, pela luz
Pela paz, pelo crime, por Alá, por Jesus
Paga imposto, paga taxa, aumento do transporte
Paga a crise na Europa e na América do Norte
Os assassinos na FEBEM, o trabalho infantil na China
E as empresas e os partidos envolvidos em propinas
[Refrão]
Chega!
Que mundo é esse? Eu me pergunto
Chega!
Quero fugir, mudar de assunto
Falar de coisa boa, mas na minha alma ecoa agora um grito
Eu acredito que você vai gritar junto
Chega!
Vida de gado, resignado
Chega!
Vida de escravo, de condenado
A corda no pescoço do patrão e do empregado
Quem trabalha honestamente tá sempre sendo roubado

[Verso 4: Gabriel, o Pensador]
Presidente, deputados, senadores
Prefeitos, governadores, secretários, vereadores
Juízes, procuradores, promotores, delegados, inspetores
Diretores, um recado pras senhoras e os senhores:
Eu pago por tudo isso, imposto sobre o serviço
A taxa sobre o produto, eu pago no meu tributo
Pago pra andar na rua, pago pra entrar em casa
Pago pra não entrar no SPC e no SERASA
Pago estacionamento, taxa de licenciamento
Taxa de funcionamento, liberação e alvará
Passagem, bagagem, pesagem, postagem
Imposto sobre importação e exportação, IPTU, IPVA
O IR, o FGTS, o INSS, o IOF, o IPI, o PIS, o COFINS e o PASEP
A construção do estádio, o operário e o cimento
Eu pago o caveirão, a gasolina e o armamento
A comida do presídio, o colchão incendiado
Eu pago o subsídio absurdo dos deputados
A esmola dos professores, a escola sucateada
O pão de cada merenda, eu pago o chão da estrada
A compra de cada poste, eu pago a urna eletrônica
E cada árvore morta na nossa selva amazônica
Eu pago a conta do SUS e cada medicamento
A maca que leva os mortos na falta de atendimento
Paguei ontem, pago hoje e amanhã vou pagar
Me respeita! Eu sou o dono desse lugar!
Chega!