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Valete

"BFF"

[Intro: Tiago & João]
Foda-se a sério mano?
Não te ia mentir, mano!
Foda-se!
Ya, não te ia mentir
'Tá-se bem, eu vou ver isso! Tchau aí, mano
Ya, tchau

[Verso 1: Valete]
Com o coração golpeado gravemente
Ansiosamente ele põe a chave na fechadura
Roda a chave para a esquerda ele roda suavemente
Abre a porta e vê a casa toda escura
Do quarto ouve um som que parece Jovanotti
Nah, afinal é Luciano Pavarotti
Para não fazer barulho ele anda bem ligeiro
Sorrateiro enquanto anda assenta o calcanhar primeiro
Tem a caçadeira no armário do escritório
Instinto predatório para mandá-los para o crematório
Pega na arma com uma postura insegura
E a tremer empurra para a direita a patilha de abertura
Bem insano ele vai entrar sem plano
Um cartuxo em cada cano e cerra o semblante
Puxa a patilha e pensa no amigo de infância
A seguir engatilha a arma para a trilha de vingança
Faceta de louco põe a mão na maçaneta
Ele quer matá-los e fazê-los apodrecer numa sarjeta
Revolta macabra ele quer ver a cabra morta
É a reviravolta, respira fundo ele abre a porta

Ana - "Tiago, Tiago, baixa a arma, baixa a arma!"
Pedro - "Foda-se, Tiago, baixa a arma, Tiago!"
Ana - "Baixa a arma, foda-se!"
Pedro - "Calma, mano!"
Ana - "Tiago, baixa arma! Foda-se!"

[Verso 2]
Uma vida radicada numa entrega tresloucada
Uma vida debitada, dedicada a ti
O esforço que fiz para teres a vida acautelada
Porque trabalho como um escravo para que não te falte nada
Senti-te estranha, senti o clima alterado
Eu devia ter calculado que era tudo falseado
Relação já não tinha chama
Mas nunca pensei que acabasses com essa doninha na minha cama
Forreta, era o que ouvia nas tuas bocas
Quando fui eu que comprei as tuas jóias, as tuas roupas
Puta, cona largada, pura insana
Encharcada de moralismo sempre armada em puritana (Puta!)
Agora vais sentir a sequela (A sequela!)
Com a caçadeira enfiada na tua goela (Na tua goela!)
A bala a perfurar a traqueia
E o teu corpo como plateia enquanto a morte fraseia

Pedro - "Tiago, Tiago!"
Ana - "Foda-se!!"
Pedro - "Foda-se!"
Ana - "Caralho!"
Pedro - "Calma, mano! Calma, caralho!"
Ana - "Ai, Tiago!"
Pedro - "Pensa, Tiago, olha p'ra mim!"
Ana - "Tiago!"
Pedro - "O que é que tu vais fazer?"

[Verso 3]
Nós éramos únicos, os últimos moicanos
Melhores amigos desde os oito anos
Éramos os putos das trapaças e chalaças e toda gente
Com graça chamava-nos de comparsas
Laço alquímico, sentimento mítico
Dei-te amor bíblico tu eras só um cínico
Lembras-te do nosso pacto de sangue
Se fosse preciso era morrer um pelo outro como num gangue
Para a minha mãe eras como eu, deu-te o me'mo trato
Sangrámos juntos, comemos do me'mo prato
Quem diria que iria ver-te com essa fingida
Quem diria que seria o teu melhor amigo a tirar-te a vida
Vosso casamento no inferno é o que eu prevejo
Puta, dá-lhe um beijo e pede um último desejo
Vê a gruta do abismo na viagem conjunta
E a bruta pena capital, o karma da vossa conduta

[Outro]
Tiago- "Uhn, uhn"
Ana- "Ei, ei, então o que é que foi?"
Tiago - "Foda-se, pesadelo do caralho!"
Ana - "Estás todo suado!"
Tiago - "Foda-se!"
Ana- "Vai tomar um banho!"
Tiago- "Ya!"

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